Anguilla anguilla (Linnaeus, 1758)

AphiaID: 126281

Código Natura 2000: 3019

Enguia-europeia

Animalia (Reino) > Chordata (Filo) > Vertebrata (Subfilo) > Gnathostomata (Superclasse) > Pisces (Superclasse-2) > Actinopterygii (Classe) > Teleostei (Infraclasse) > Elopomorpha (Superordem) > Anguilliformes (Ordem) > Anguillidae (Familia)

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Registos OMARE: 2
Registos OBIS: 8371

Descrição

Corpo alongado, serpentiforme, maxila inferior ultrapassando ligeiramente a superior; dentes pequenos, dispostos em várias séries sobre as maxilas e vómer; barbatanas peitorais bem desenvolvidas; origem da barbatana dorsal nitidamente atrás da extremidade das barbatanas peitorais.

Distribuição geográfica

A área de distribuição da espécie inclui a costa Atlântica da Europa e Norte de África bem como algumas ilhas do Atlântico e ainda toda a costa do Mar Mediterrâneo.

Em Portugal Continental a enguia-europeia ocorre em todas as bacias hidrográficas desde o Rio Minho até ao Rio Guadiana. Nos Açores e na Madeira, embora ocorra nas águas costeiras e entre nas pequenas linhas de água, lagoas e charcas, apresenta efectivos muito reduzidos.

Habitat

Ocorre em todos os tipos de ecossistemas aquáticos (dulçaquícolas, salobros ou marinhos). As massas de água continentais (salobras e dulçaquícolas) de carácter permanente constituem o seu principal habitat.

Sendo uma espécie catádroma (vive em ambientes de água doce, mas reproduz-se em ambientes de água salgada), o Oceano Atlântico representa uma rota de migração obrigatória para os reprodutores que se dirigem para o Mar dos Sargaços, e para as larvas que migram para as massas de água continentais.

 

Ecologia

A espécie tem dietas completamente diferentes durante as várias fases da vida. Desconhece-se a dieta dos leptocéfalos; as enguias de vidro consomem larvas de insetos, peixes mortos e pequenos crustáceos; as enguias adultas têm uma dieta bastante diversificada (fauna de água doce, marinha ou terrestre), contudo a sua principal fonte de alimento são os invertebrados aquáticos.

Reproduz-se no mar dos Sargaços e o período da desova vai desde o início de março até julho, os adultos provavelmente morrem após a desova. Supõe-se que a desova ocorra apenas no Mar dos Sargaços. Quando os leptocéfalos atingem as plataformas continentais sofrem um processo de metamorfose, transformando-se em enguias de vidro (meixão) que apresentam corpo transparente, nesta fase entram nos estuários, podendo colonizar diferentes tipos de sistemas aquáticos (sistemas costeiros, estuarinos e dulçaquícolas). Estas enguias de vidro são observadas no outono nas costas portuguesas e no inverno e primavera no Mar do Norte.

À medida que se desenvolvem passam por novas transformações adquirindo uma tonalidade amarelo/esverdeada, tonalidade que lhes dá o nome de enguia amarela. A fase de enguia amarela representa a maior fase de crescimento. No final desta fase as enguias amarelas passam novamente por uma série de transformações adquirindo uma tonalidade prateada sendo designadas enguias prateadas. Este processo prepara os reprodutores para o retorno ao mar dos Sargaços. As fêmeas têm o dobro do tamanho dos machos.

Características identificativas

  • Corpo alongado, serpentiforme, maxila inferior ultrapassando ligeiramente a superior;
  • dentes pequenos, dispostos em várias séries nas maxilas e vómer;
  • barbatanas peitorais bem desenvolvidas;
  • origem da barbatana dorsal nitidamente atrás da extremidade das barbatanas peitorais;
  • coloração variável, nos adultos castanho esverdeado no dorso e amarelado no ventre, mudando para anegrado no dorso e prateado no ventre com a maturidade sexual e migração para a desova.

Facilmente confundível com:

Estatuto de Conservação

Principais ameaças

Estatuto de conservação Em Perigo (Livro Vermelho dos Vertebrados, 2006).

 

 

 

Exploração comercial

Tamanho mínimo de captura – 220 mm.

É objecto de pesca ilegal intensiva, no rio Cávado, na fase juvenil, onde os indivíduos são denominados por meixão.

Sinónimos

Checked: verified by a taxonomic editorEiró

Checked: verified by a taxonomic editorMeixão (fase juvenil)
Angill angill (Linnaeus, 1758)
Anguilla acutirostris Risso, 1827
Anguilla aegyptiaca Kaup, 1856
Anguilla altirostris Kaup, 1856
Anguilla ancidda Kaup, 1856
Anguilla anguilla oxycephala De la Pylaie, 1835
Anguilla anguilla var. macrocephala De la Pylaie, 1835
Anguilla anguilla var. mucrocephala De la Pylaie, 1835
Anguilla anguilla var. ornithorhyncha De la Pylaie, 1835
Anguilla anguillai (Linnaeus, 1758)
Anguilla anguillia (Linnaeus, 1758)
Anguilla bibroni Kaup, 1856
Anguilla brevirostris Cisternas, 1877
Anguilla callensis Guichenot, 1850
Anguilla canariensis Valenciennes, 1843
Anguilla capitone Kaup, 1856
Anguilla cloacina Bonaparte, 1846
Anguilla cuvieri Kaup, 1856
Anguilla eurystoma Heckel & Kner, 1858
Anguilla fluviatilis Heckel & Kner, 1858
Anguilla fluviatilis Anslijn, 1828
Anguilla fluviatilis Gistel, 1848
Anguilla hibernica Couch, 1865
Anguilla kieneri Kaup, 1856
Anguilla latirostris Risso, 1827
Anguilla linnei Malm, 1877
Anguilla marginata Kaup, 1856
Anguilla marina (Nardo, 1847)
Anguilla mediorostris Risso, 1827
Anguilla melanochir Kaup, 1856
Anguilla microptera Kaup, 1856
Anguilla migratoria Krøyer, 1846
Anguilla morena Kaup, 1856
Anguilla nilotica Heckel, 1846
Anguilla nilotica Kaup, 1857
Anguilla oblongirostris Blanchard, 1866
Anguilla platycephala Kaup, 1856
Anguilla platyrhynchus Costa, 1850
Anguilla savignyi Kaup, 1856
Anguilla septembrina Bonaparte, 1846
Anguilla vulgaris Shaw, 1803
Anguilla vulgaris Rafinesque, 1810
Anguilla vulgaris fluviatilis Rafinesque, 1810
Anguilla vulgaris lacustus Rafinesque, 1810
Anguilla vulgaris macrocephala De la Pylaie, 1835
Anguilla vulgaris marina Rafinesque, 1810
Anguilla vulgaris ornithorhincha De la Pylaie, 1835
Anguilla vulgaris platyura De la Pylaie, 1835
Leptocephalus brevirostris Kaup, 1856
Muraena anguilla Linnaeus, 1758
Muraena anguilla maculata Chiereghini, 1872
Muraena anguilla marina Nardo, 1847
Muraena oxyrhina Ekström, 1831
Muraena platyrhina Ekström, 1831

Informação Adicional

Pesquise mais sobre Anguilla anguilla > ICNF  ~ IUCN Red List

 

Referências para a região Norte de Portugal:

Plano de Gestão da Enguia-europeia (2009-2012)

Referências Internacionais

Skupin, M. 2006. “Anguilla anguilla” (On-line), Animal Diversity Web. Accessed June 05, 2018 at http://animaldiversity.org/accounts/Anguilla_anguilla/

Manual Prático De Identificação de Peixes Ósseos da Costa Continental Portuguesa – IPMA (2015)

additional source Hayward, P.J.; Ryland, J.S. (Ed.). (1990). The marine fauna of the British Isles and North-West Europe: 1. Introduction and protozoans to arthropods. Clarendon Press: Oxford, UK. ISBN 0-19-857356-1. 627 pp. [details]

original description Linnaeus, C. (1758). Systema Naturae per regna tria naturae, secundum classes, ordines, genera, species, cum characteribus, differentiis, synonymis, locis. Editio decima, reformata. Laurentius Salvius: Holmiae. ii, 824 pp., available online at https://doi.org/10.5962/bhl.title.542 [details]

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additional source Welshman, D.; Kohler, S; Black, J.; and L. Van Guelpen. (2003). An atlas of distributions of Canadian Atlantic fishes. , available online at http://epe.lac-bac.gc.ca/100/205/301/ic/cdc/FishAtlas/default.htm [details]

Última atualização: 26 Mar. 2019
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